Qiao Feng / Xiao Feng: O Herói Trágico Que Definiu Wuxia
O Maior Personagem Que Jin Yong Já Criou
Existem personagens mais poderosos nas ficções de Jin Yong (金庸 Jīn Yōng). Há os mais inteligentes, os mais engraçados e os mais complexos. Mas não há ninguém — em todos os quatorze romances, em milhares de páginas — que impacte com a força emocional de Xiao Feng (萧峰 Xiāo Fēng), originalmente conhecido como Qiao Feng (乔峰 Qiáo Fēng). Ele é o personagem sobre o qual as pessoas choram décadas depois de lerem 天龙八部 (Tiānlóng Bābù). Ele é aquele que faz até mesmo as pessoas que nunca leram Jin Yong se emocionarem apenas ao ouvir sua história descrita. Ele é, sob qualquer medida, a alma da ficção wuxia (武侠 wǔxiá).
A Ascensão: Um Herói Sem Igual
Quando conhecemos Qiao Feng pela primeira vez, ele é o chefe da Seita dos Mendigos (丐帮 Gàibāng), a maior organização de artes marciais na China. Ele é universalmente respeitado: corajoso, honrado, devastadoramente poderoso. Suas Dezoito Palmas de Submissão do Dragão (降龙十八掌 Xiánglóng Shíbā Zhǎng) são descritas como a mais impressionante técnica de palmas no jianghu (江湖 jiānghú) — não a mais refinada, não a mais elegante, mas a mais terrivelmente poderosa. Quando Xiao Feng ataca, a terra treme.
Ele também é um líder natural. Quando a Seita dos Mendigos enfrenta crises, Qiao Feng as resolve através de uma combinação de supremacia marcial e autoridade moral. As pessoas o seguem não porque têm medo dele, mas porque confiam nele. Ele personifica o ideal de 侠 (xiá) — o cavaleiro errante — em sua forma mais pura: poder usado a serviço da justiça.
Para o leitor, esse cenário é intoxicante. Encontramos nosso herói. Ele é forte, ele é bom, ele é amado. E então Jin Yong destrói tudo.
A Queda: "Você Não É Um de Nós"
Em um encontro na Mansão Juxian (聚贤庄 Jùxián Zhuāng), surgem evidências de que Qiao Feng não é Han chinês — ele é Khitan, um membro do povo Liao que o mundo marcial chinês considera inimigos bárbaros. Seu verdadeiro nome não é Qiao Feng; é Xiao Feng. Seus pais eram guerreiros Khitan. Toda a sua identidade é uma mentira — não uma mentira que ele contou, mas uma mentira que lhe foi contada.
A reação do mundo das artes marciais é instantânea e total. Amigos que o admiravam ontem o denunciam hoje. A Seita dos Mendigos retira seu título. Antigos aliados tentam matá-lo. Cada boa ação que ele fez é reinterpretada retroativamente através da lente da suspeita étnica: "Ele provavelmente foi um espião Khitan o tempo todo."
O massacre na Mansão Juxian — onde Xiao Feng, atacado por dezenas de lutadores simultaneamente, é forçado a matar pessoas que eram seus amigos apenas algumas horas antes — é uma das cenas mais angustiante da literatura chinesa. Ele não quer lutar. Ele implora, ele explica, ele raciocina. Mas a multidão já decidiu o que ele é, e nenhuma quantidade de evidência pode mudar a mente de uma multidão.
Jin Yong está fazendo um argumento que ressoa em diversas culturas e séculos: categorias de identidade são armas. No momento em que a etnia de Xiao Feng é revelada, tudo o que ele fez é reformulado. Sua lealdade se torna infiltração. Seu heroísmo se torna engano. Seu amor pela cultura chinesa se torna apropriação. O homem ha